O País deu um “tiro no pé” não apostando nos carros “verdes”?

O recente aumento da alíquota do IPI – Imposto sobre produtos industrializados, para veículos importados e a revisão do acordo de livre comércio com o México, desagradou os fabricantes afetados pela medida e os consumidores que terão que pagar mais caro para andar de carros importados.

Quem não pretende comprar carro importado, pode pensar que o assunto não mexe em seu bolso. Mas poderá mexer sim, pois, provavelmente, a concorrência menor fará com que o veículo nacional (caminhões inclusive), suba de preço, reflita no valor do transporte e todos os brasileiros (proprietários ou não de carros), paguem a conta. Pois é preciso lembrar que não há acordo capaz de evitar a poderosa e natural lei de mercado.

Há ainda um terceiro componente que deve estar tirando o sono do governo, que é o gigantesco e assustador aumento da importação de combustível, que cedo ou tarde, terá que ser inibida.Por outro lado, a medida serviu para atrair ou acelerar o processo de instalação de novas fábricas no Brasil, e o governo brasileiro terá que sinalizar com incentivos para que os investimentos se materializem.

A medida parece que vem em forma de mérito, ou seja, criação de tabela de pontuação. Então os benefícios (leia-se redução da alíquota do IPI), seriam proporcionais ao números de pontos alcançados. Se será uma boa ideia, só o tempo dirá.

Caso a proposta prospere, o governo terá uma ótima oportunidade para incentivar a indústria automobilística a produzir por aqui carros mais seguros e econômicos,a exemplo do que já faz o governo norte americano. Deve ainda priorizar maior índice de nacionalização (o que ele tanto defende), geração e manutenção de emprego para os brasileiros e preços menores. Agindo desta maneira, os preços não poderiam, por exemplo, aumentar mais que a inflação.

Oportunidade para os carros híbridos plug-in e elétricos
É oportuno incentivar a produção e comercialização de carros híbridos plug-in e elétricos. Primeiro porque o consumidor de um País desenvolvido deve ter opção de fazer as suas próprias escolhas.E em segundo, porque estamos gastando uma fortuna com importação de gasolinae etanol.

Em 2009, o Brasil importou 9 mil barris de gasolina por dia. No ano passadoforam importados diariamente 40 mil barris, e as projeções dão conta de que serão importados este ano, em torno de 80 mil barris. E com o etanol não é diferente. Em 2011 o país importou 1,1 bilhão de litros do combustível dos Estados Unidos e no primeiro bimestre deste ano, as importações do combustível bateu recorde.

Além disso, não é novidade para ninguém que os aumentos do preço dagasolina no mercado internacional não está sendo repassado ao consumidor.O argumento de que o nosso pré-sal e a construção de novas refinarias nos deixarão novamente autosuficientes em combustível poderá até prevalecer, mas que ninguém se engane, pois não há futuro sem presente.

Em outros países, a exemplo dos Estados Unidos, os aumentos vão para as bombas e por lá, o consumidor está pagando em torno de U$5,00 pelo galão do tipo premium. Sabemosque o governo brasileiro fará o que puder para evitar o repasse no preço da gasolina e também evitar o aumento da inflação>O que não sabemos é até quando poderá resistir.

Além disso, se os preços dos combustíveis aumentarem, o resultado poderá refletir na redução das vendas de veículos novos, e ai os fabricantes poderão repensar seus investimentos.E isso não será novidade. Portanto, a situação em que o governo se encontra pode até parecer simples, mas está longe de ser fácil de implementar, como pode parecer a um analista menos atento.

Pense nisso e ótima semana,


Evaldo Costa
Escritor, conferencista e Diretor do Instituto das Concessionárias do Brasil
Blog: www.carroeletriconews.blogspot.com
Site: www.icbr.com.br
E-mail: evaldocosta@evaldocosta.com
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2 comentários:

  1. AlfPintarelli09/04/2012 12:21

    Oportuna observação. Não compreendo porque algo tão óbvio não é colocado em prática. Se trata apenas de mudar a motorização, e não de refazer o veículo inteiro.
    A tão sonhada autosuficiência, hoje, reside na adoção de veículos híbridos.
    Acorda Brasil.

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  2. Oportuna observação. Penso, porém, que apesar da dificuldade de migrarmos para os elétricos puros, a adoção de motorização híbrida agradaria a todos, pois não estaria ameaçando os atuais fornecedores de peças.
    Considerando que é só uma questão de mudar a motorização, tão fácil como colocar motor de Passat em Fusca, acredito que as resistências sejam de ordem fábrica e governo.
    Considerando que os híbridos prometem mais economia, menos poluição, menos dependência de importação de combustíveis, pergunto, quem não quer. Eu quero.

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