Andamos nos elétricos Renault Fluence Z.E e Twizy

Sedã e supercompacto que não emitem poluentes foram testados pela primeira vez no País


O cenário não poderia ser melhor para a Renault, que aproveitou a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável) para trazer (apenas por alguns dias) ao País alguns de seus veículos elétricos. A proposta é ceder modelos para serem utilizados no transporte de pessoas ligadas ao evento, além de oferecê-los a alguns jornalistas para um breve test-drive.

E o Carsale pode conferir como anda o sedã Fluence Z.E e o supercompacto Twizy, em uma programação paralela à conferência, promovida pela fabricante francesa. Como os três exemplares do sedã receberam somente uma permissão provisória para rodar nas ruas cariocas, após o evento eles devem partir para a Europa. Já o Twizy não foi liberado para trafegar nas ruas e, portanto, pudemos testá-lo em um ambiente fechado. As características da dupla de elétricos e as primeiras impressões você confere abaixo.

Fluence Z.E faz o tipo celebridade no RJ



Se o sedã que testamos não tivesse o adesivo gigantesco colado na laterais “100% Electric” e a carroceria pintada na peculiar tonalidade azul (chamada de Azul Energia), duvido que os outros motoristas perceberiam que o Fluence em questão é diferente do modelo que já estamos acostumados a ver por aqui. Mas como ele estava vestido para se “mostrar”, não deu outra, e ao longo do trajeto de cerca de 10 quilômetros fomos abordados por algumas pessoas que estavam em carros ao lado – sem contar as dezenas de torcidas de pescoço notadas.

“Esse carro é elétrico mesmo?”, perguntou o motorista de um hatch parado ao nosso lado. Respondi que sim, mas ele continuou: “Elétrico de verdade? Totalmente elétrico?”, insistiu ainda meio desconfiado. Eu afirmei que sim e o rapaz acenou com um “jóinha” e estampou um sorriso no rosto. Seguimos trafegando na famosa avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, e o Fluence Z.E (sigla, para Zero Emition) continuo a receber cantadas.


No meu primeiro contato com o elétrico, o visual externo não surpreendeu, pois ele é praticamente igual ao irmão movido a combustão. As exceções ficam por conta de 13 centímetros a mais na parte traseira (total de 4,75 metros de comprimento) e um porta-malas com espaço reduzido para 317 litros (na versão regular são 530 l), pois ali ficam acomodadas as baterias. No mais, há duas tampas que se abrem nos pára-lamas dianteiros por onde são feitas as recargas, difusor preto no pára-choque traseiro que diminui a resistência aerodinâmica, assim como as rodas com novo desenho.

Quem já conhece o Fluence por dentro, em uma primeira olhada, pode achar que também nada mudou. Mas há sim uma diferença: o painel de instrumentos. Mesmo que ele tenha o mesmo visual da instrumentação do modelo a combustão, ou seja, é composto de três círculos, as informações mostradas são diferentes. O primeiro marcador mostra o nível de carga da bateria, o segundo é o velocímetro e o último é o computador de bordo, que marca o consumo instantâneo e médio, além da autonomia. Até o câmbio possui um visual semelhante.


Já o motor elétrico, tem força equivalente a 95 cavalos de potência (70 kW), entregues aos 3.000 giros. O torque máximo de 23 kgfm é obtido instantaneamente. Durante o test-drive, o sedã mostrou ter vigor na hora de arrancar e fazer ultrapassagens. Para quem ainda tem a (falsa) ideia de que carros “verdes” podem ficar devendo em termos de desempenho, é hora de tratar de mudar esse pensamento. Porém, o ponto que não "joga" a favor dos modelos movidos à energia continua sendo a autonomia. Se levarmos em consideração que eles são voltados para uso estritamente urbano, porém, é aceitável. A Renault informa que o Fluence Z.E está apto para rodar até 180 km. Já a velocidade máxima é de 135 km/l (no velocímetro são 150 km) – durante nosso teste, fizemos o ponteiro alcançar os 90 km/h. Para chegar aos 100 km/h ele leva 13 segundos. Mas de todas as características do francês duas chamam a atenção: como o motor não faz barulho e não há conta giros, para saber se o carro está ligado é preciso atentar para uma luz verde com a palavra “GO”, no painel e se acostumar com o confortante silêncio a bordo.

Twizy, o mini elétrico


Carismático, divertido e esquisito são os adjetivos que tentam descrever o pequeno Renault Twizy. Você leitor pode ir além comparando-o a um carrinho de brinquedo, algo já visto em algum desenho animado, ou coisa do tipo. Fato é que não é nem um pouco fácil defini-lo. Para começar, o mini elétrico (que fique claro que o adjetivo nada tem a ver com os esportivos da marca britânica MINI) não é classificado nem como um veículo propriamente e está mais para um quadriciclo.

Embora pequenino, ele é capaz de levar duas pessoas. O carona vai em um banquinho atrás do motorista e precisa entrar primeiro – já adianto que é necessário um certo contorcionismo. A versão testada foi a de 20 cavalos de potência e que atinge velocidade máxima de 80 km/h. Na Europa há ainda uma outra configuração, com velocidade limitada a 45 km/h, que pode ser conduzida sem que o motorista tenha carteira de habilitação.

Com 2,33 metros de comprimento, sua proposta é clara: rodar nos centros urbanos, algo que fica evidente devido as suas proporções e autonomia de cerca de 100 quilômetros. E como seu objetivo é ser prático, ele pode ser carregado em uma tomada convencional. Basta aguardar aproximadamente três horas e o Twizy estará pronto. Ao sentar no banco do motorista, notei que além do tradicional cinto de segurança de três pontos há ainda um outro vertical, que fica apoiado no ombro direito. Vale ressaltar que existem duas portas para este modelo e, inclusive, são comercializadas como item opcional lá na Europa.

Como o Twizy não estava autorizado a sair pelas ruas, fizemos o teste em um pequeno circuito, montado dentro de um estacionamento. No traçado, foi possível chegar aos 38 km/h de velocidade, embora a sensação quando se está a bordo do modelo sem portas é de que o velocímetro está bem mais além disso. Por mais que não pareça, ele é estável e mandou bem nas mini curvas. A carroceria, porém, faz alguns barulhos. Fui ainda autorizada a sair do traçado e pisar mais fundo no acelerador para conferir como ele reage quando exigimos mais velocidade. E para a minha surpresa, ele chegou aos 60 km/h e demonstrou fôlego para ir além. Pena que a reta estava acabando.

Também andei na condição de carona. Esqueça um banco macio e espaço, a questão é que ele carrega, de forma simples, uma segunda pessoa. Durante os minutos que passei na parte de trás senti a necessidade de alças de apoio para não ficar inclinando muito à medida que chegavam as curvas. Como estava garoando e o piso estava molhado, foi inevitável que tomássemos umas espirradas de água, mas nada absurdo. Talvez com as duas portas isso possa melhorar. De qualquer forma, não deixa de ser uma experiência divertida.

Europa já tem; Brasil poderá ter também


Segundo uma fonte ligada ao Grupo Renault Nissan, há grande possibilidade de o Fluence Z.E e o Twizy virem ao Brasil, não só a passeio. O informante ligado ao grupo franco-nipônico, acredita que o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciará em breve uma alíquota de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) diferenciada para carros elétricos – hoje os modelos possuem taxação de 55%, mas a expectativa é que caia para 7% e fique igual aos dos veículos equipados com motor flex fabricados no Brasil. Por enquanto, não há nada confirmado, são só indícios.

Se isso acontecer, a Renault tem interesse em trazer toda a sua frota de carros elétricos para cá, a começar com o Fluence Z.E e o Twizy – em seguida o Kangoo Z.E e o hatch Zoe. Só para constar, todos já são comercializados no mercado europeu. O sedã parte de 25.900 mil euros, o que em uma conversão simples para a nossa moeda equivale a R$ 67 mil, enquanto o pequenino começa em 6.990 euros, cerca de R$ 18 mil. Que a alternativa ecológica é uma boa para o planeta não há o que discutir. Resta aguardar (e torcer) para que o governo, realmente, aposte em um “IPI verdinho”.

Fonte: Carsale

Um comentário:

  1. Parece realmente que a eletricidade será o futuro do automóvel, econômicos, eficientes e com um grande apelo ecológico, tem tudo para serem um sucesso. Mas será que este apelo ecológico é real? Um veículo elétrico só será realmente ecológico se a fonte de produção de energia que este utiliza também for ecológica. Um veículo que utiliza energia produzida por uma termoelétrica movida a carvão, por exemplo, perde totalmente sua função. Talvez a melhor saída não seja a mudança no veículo, mas sim na matriz energética.

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