Para Renault, impostos e falta de infrastrutura afastam carro elétrico do Brasil

O Brasil é o segundo maior mercado global da montadora francesa Renault, mas no setor de veículos elétricos, ainda custa a deslanchar. A falta de infraestrutura adequada – principalmente de postos de carregamento da bateria – e a alta carga tributária de importação inviabilizam a popularização deste tipo de automóvel no país.

Linha de carros elétricos da Renault

Os carros elétricos são os que menos poluem o meio ambiente. Além disso, a partir de 30 quilômetros rodados por dia, o abastecimento custa mais barato do que os veículos a combustível. A montadora Renault foi a primeira a tentar conquistar o mercado brasileiro, mas até o momento apenas 80 automóveis foram vendidos no país – todos para empresas como Natura, Fedex e Itaipu Binacional.

O diretor de Operações na América Latina, Denis Barbier, admite que as vendas “penam a decolar”, mas mantém o entusiasmo com a região nas próximas décadas. Ele cita o Equador como exemplo de país que colocou como prioridade a redução das emissões de gases poluentes pela frota urbana, através dos modelos elétricos.

“Hoje, nós não fazemos previsão em termos de volume de vendas de veículos elétricos na América Latina. A nossa ambição hoje é começar a ingressar nos diferentes países do continente, desenvolver os primeiros mercados – digamos mercados-teste, primeiramente com frotas institucionais, limitadas”, explica Barbier. “Ainda não estamos em busca da conquista do público em geral. Para isso, seriam necessários investimentos pesados em infraestrutura, para recarregar os veículos.”

A baixa autonomia dos carros elétricos é um dos principais pontos fracos do veículo – atualmente, eles rodam em média 150 quilômetros. O automóvel é indicado para uso diário nas grandes cidades, onde há mais pontos de recarregamento.

Três vezes mais caro que na Europa
A carga tributária, por outro lado, afasta o interesse dos consumidores pelos veículos, que por enquanto são importados. No Brasil, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os elétricos é de 25%. O chamado “custo Brasil” faz com que modelos como Zoé sejam três vezes mais caros do que na Europa, onde são vendidos por € 20 mil (R$ 61 mil).

“O que pudemos constatar nos mercados nos quais os carros elétricos se desenvolvem com força é que é necessário um comprometimento muito forte dos governos, tanto para apoiar o desenvolvimento das infraestruturas, como no estímulo para a aquisição de frotas – na França, o governo colabora com um abatimento sobre o valor”, observa. “Os governos precisam querer desenvolver os veículos elétricos, que consomem energia limpa e econômica.”

Eleições
Neste ano, a diminuição do crescimento econômico no Brasil também impacta nas vendas de veículos em geral no país, com queda de 9,7% desde janeiro. O cenário é desfavorável, mas permanece animador a longo prazo, segundo o Denis Barbier.

“Nós achamos que o potencial continua. O índice de carros por pessoa ainda está abaixo do que pode e deve ser, portanto o mercado brasileiro ainda vai se desenvolver”, avalia o diretor de operações. “É verdade que atualmente tem uma desaceleração – nós sabíamos que isso aconteceria na época da Copa do Mundo e achávamos que a retomada aconteceria depois, mas por enquanto ainda não veio. A situação está diretamente ligada ao cenário político do país, em que os consumidores estão esperando para ver o que vai acontecer nas eleições outubro”, considera.

Noruega é o melhor mercado europeu
Na Europa, é na Noruega que os carros elétricos mais têm sucesso – 20% dos veículos vendidos usam energia elétrica. Na França, apesar dos incentivos, a proporção ainda permanece baixa, de apenas 0,5%.

Béatrice Foucher, diretora do Programa de Veículos Elétricos da Renault, atribui os resultados ao contexto econômico de crise e a quantidade ainda insuficiente de postos de carregamento – dos 7 mil existentes em todo o país, 5 mil se concentram em Paris e região. “Quando este mercado estiver bem consolidado na Europa, tenho certeza de que outras regiões, como a América Latina, vão acompanhar”, destaca Foucher.

Por: Lúcia Müzell
Fonte: RFI

Nenhum comentário:

Mais Vistos