Vice-Presidente de Veículos Elétricos da Renault confirma Fluence ZE no Brasil

Em entrevista, Vincent Carré diz que a marca francesa vendeu as duas primeiras unidades do médio verde no Brasil, mas espera por incentivos

Renault Fluence ZE

À espera de incentivos para carros elétricos, a Renault é uma das marcas mais dispostas a investir no nicho no Brasil. Junto com a companheira de grupo Nissan, a marca francesa investe por enquanto apenas nas vendas para frotistas. Além do início da montagem de 32 unidades do Twizy em kits pela Itaipu Binacional, a companhia francesa fechou a venda para a fornecedora de energia CPFL das duas primeiras unidades do Fluence Z.E. (Zero Emission) no Brasil, vindos da Coréia do Sul. A compradora usará os carros para transporte dos seus executivos. Em entrevista, Vincent Carré, vice-presidente mundial de Veículo Elétrico Renault, falou um pouco sobre o panorama do carro elétrico no Brasil e no mundo, como será a expansão no futuro e outras tendências. Para ele, híbridos como o Prius estão mortos, as baterias vão triplicar de autonomia muito em breve e algumas ideias como o carro a hidrogênio não chegarão a massificar. A chefe de projeto veículo elétrico na Renault do Brasil, Silvia Barcik também participou de encontro.

Quais são as expectativas da Renault para os elétricos no Brasil?
Já há alguma mudança no mercado e nessa parte do mundo esperamos que os elétricos comecem a ser vendidos para outros clientes e não apenas para parceiros. Estamos esperando incentivos para massificar as vendas. Por enquanto, é o início e temos parceiros fortes que consomem a gama de elétricos da Renault, como Itaipu e Fedex.

Se for o caso, os elétricos seriam produzidos nacionalmente?
São duas etapas. Começaremos primeiro a vender nossos elétricos abertamente. Depois faremos os carros no Brasil. É mais barato fazê-los aqui. Mas precisamos de incentivos, na Europa os governos cobrem parte do valor, o que aproxima o valor dos elétricos dos carros normais, cerca de 10% apenas de diferença. Na Inglaterra são cinco mil libras esterlinas de incentivo. O governo brasileiro precisa criar sistemas do tipo. Até pelo menos o preço de produção e de mercado dos elétricos ficar parecido com os modelos a combustão, o que deve acontecer talvez em cinco anos.

Caso fossem aprovados os incentivos, quais são as perspectivas de popularização? O Brasil seria um bom mercado?
Os elétricos ainda são o melhor uso de energia. Nós temos que reduzir o custo, mas os clientes ajudam a popularizar os carros. Os elétricos são mais esportivos (NR: os motores do tipo tem torque instantâneo, basta pisar para ter toda a força), modernos e silenciosos. Aqueles que têm recomendam o carro. Na França, a taxa de satisfação dos milhares dos compradores do Zoe chega a 98% e a taxa de recomendação é de 97%. Para você ter uma ideia, em geral um bom carro da Renault tem aprovação de 80% ou pouco mais. O comprador de um elétrico costuma até emprestar o carro para amigos, é um fenômeno completamente novo.

E como é no resto do mundo?
Em alguns países o avanço é rápido. Um a cada cinco carros vendidos na Noruega são elétricos. As emissões são zero e o motor elétrico é o que faz o melhor uso de energia. Além disso, você traz qualidade de vida nas grandes cidades. As vendas aumentam muito na Europa, devem ser ampliadas em 76% em comparação a 2013. Mas a China é a que mais investe por causa da poluição. Será um aumento de cinco vezes em relação a 2013. O mercado chinês de elétricos ultrapassará os Estados Unidos, atualmente o maior comprador, em 2015. O governo investe pesado para diminuir as emissões lá, onde até colégios chegam a usar domos de plástico para isolar a atmosfera. Para lá, queremos carros do tipo C como o Zoe.

Fonte: Revista Auto Esporte

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