BMW foca em carros elétricos com recursos de modelos de luxo


O CEO da BMW, Harald Krüger, prometeu empurrar a fabricante de veículos mais fundo no mercado de carros elétricos e acelerar a introdução de recursos de direção autônoma, ao mesmo tempo ampliando o leque de modelos de luxo lucrativos que ajudarão a financiar sua estratégia.

Krüger definiu o plano em sua primeira revisão importante desde que se tornou CEO, no ano passado. Entre as novidades estão os lançamentos de mais SUVs, incluindo o X7 full-size, e mais versões de modelos de alto padrão, como o novo sedã top de linha Série 7, disse Krüger nesta quarta-feira, em Munique, onde está localizada a sede da empresa.

"Vai ser difícil para a BMW se expandir em novos segmentos no futuro após ocupar a liderança aqui por tantos anos", disse Sascha Gommel, analista em Frankfurt do Commerzbank, que aconselha os investidores a manterem as ações da BMW.

A abordagem dupla construída em torno de carros avançados e de uma ampliação da linha atual visa a ajudar a BMW a manter as margens de lucro antes de impostos em um mínimo de 10% até 2020. A BMW projetou outro ano de volumes de vendas, receita e lucros recordes, enquanto os ganhos do grupo subirão apenas ligeiramente na comparação com uma projeção de crescimento sólido do ano passado. A receita do segmento de fabricação de veículos crescerá ligeiramente, disse a empresa, contrastando com um aumento significativo registrado no ano passado.

As ações da BMW caíram 17 por cento neste ano, contra um declínio de 13 por cento da Daimler no período.

A última grande mudança estratégica da fabricante de veículos se deu em 2007, quando o então CEO Norbert Reithofer impulsionou a marca esportiva a investir bilhões na redução de consumo de combustível, a produzir seu primeiro veículo elétrico e a ser pioneira na produção massiva de fibra de carbono. Krüger disse na quinta-feira que adicionará versões conversíveis do plug-in I8 e que também ampliará o leque de modelos que vêm com os pacotes opcionais de alto desempenho M.

"Precisamos gerenciar nosso negócio atual à perfeição e ao mesmo tempo continuar crescendo de forma orientada para garantir o investimento necessário", disse Krüger.

Diferentemente das rivais Mercedes-Benz e Audi, a proprietária das marcas BMW, Rolls-Royce e Mini não faz parte de um grupo mais amplo, o que significa que precisa absorver os custos do desenvolvimento dessas novas tecnologias com a força de sua oferta atual. O crescimento, porém, está perdendo força em um momento em que a Mercedes, da Daimler, e a Audi, da Volkswagen, buscam o primeiro lugar e marcas como Maserati, Jaguar e Alfa Romeo se expandem e dão mais opções aos compradores de carros de luxo.

"Não há muito que eles possam fazer em termos de adição de novos produtos", disse Dominic O'Brien, analista do Exane BNP Paribas em Londres, antes de a BMW divulgar o relatório de estratégia. "Os três temas principais, redução de emissões, carros conectados e direção autônoma, manterão os gastos em pesquisa e desenvolvimento em um nível elevado".

O foco da BMW na conservação de seus recursos ficou evidente em sua decisão de evitar entregar um pagamento especial esperado pelos investidores neste ano, quando a empresa comemora seu 100o aniversário.

Além de combater suas rivais tradicionais, a BMW também enfrenta o surgimento de novas concorrentes, como a Tesla Motors e, possivelmente, a Apple. A fabricante alemã delineou sua visão de futuro para os automóveis de luxo na semana passada, ao apresentar um veículo conceito no qual o volante e o console central se retraem, possibilitando que o motorista gire e fique de frente para o passageiro do banco da frente.

"Precisamos agir rapidamente no mundo digital e estar preparados para assumir riscos", disse Krüger.

Por: Elisabeth Behrmann
Fonte: UOL Economia

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